Saúde

Equoterapia

A importância do cavalo na saúde

O cavalo, este velho companheiro do homem,  símbolo de força, poder e liberdade, ganha outra dimensão ao se tornar agente de reabilitação física e educação. 

Embora pouco conhecido, é antigo o seu uso em processos terapêuticos, conta o psicólogo Amauri Sólon Ribeiro, diretor da Equovida, Centro de Equoterapia e Qualidade de Vida, uma associação sem fins lucrativos, no Rio de Janeiro-RJ, que trabalha com equitação esportiva para iniciantes e equitação terapêutica.

Sólon explica que “equitação é um esporte equestre que tem aspectos terapêuticos, mas não é uma terapia. A equoterapia,que utiliza bases da equitação, é um processo terapêutico reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina”.

Em geral, as pessoas chegam ao Equovida por outros pacientes, pela internet ou por recomendação de médicos, fisioterapeutas, fonos, psicólogos.

A base e benefícios da equoterapia
 
A equoterapia é constituída pelos movimentos que o cavalo ao passo produz sobre o corpo de quem está montado. É o chamado "movimento tridimensional", porque a pessoa é mobilizada para a frente e para trás, para um lado e para outro, para cima e para baixo, com impactos significativos na cintura pélvica (quadris), na cintura escapular (ombros) e em músculos das pernas, tronco e pescoço.

Por isso,  esclarece o psicólogo, a equoterapia é considerada uma "cinesioterapia" (terapia do movimento). “A pessoa fica sentada sobre o dorso do cavalo, usualmente só com uma manta. Apoiada no cóccix e nos ísquios, ela sofre pequenos impactos e vibrações que se transmitem ao longo de sua coluna vertebral, chegando ao cérebro através da medula e estimulando o sistema nervoso central. Daí sua enorme utilidade para os portadores de lesões neuromotoras e disfunções sensório-motoras”.

A equoterapia trabalha o equilíbrio e a  coordenação motora, provocando mobilizações músculo-articular-esqueléticas que muitas vezes a fisioterapia clássica não consegue, enfatiza Sólon.

No aspecto psicológico, prossegue o psicólogo “há um grande reforço da auto-estima. Uma criança, que vê o mundo de baixo para cima, quando montada no cavalo tem seu ângulo de visão alçado para cerca de dois metros e meio de altura, mais elevado que o olhar de um adulto. Somam-se a isso o prazer e a sensação de força e liberdade por estar conduzindo um animal de grande porte e significativa carga simbólica”.

A equoterapia requer do praticante uma atenção concentrada durante os trinta minutos da sessão porque, na realidade, o cavalo nunca está totalmente parado. Ele troca o apoio das patas, desloca a cabeça ao olhar para os lados, flexiona a coluna, abaixa e alonga o pescoço, solicitando ao corpo ajustes posturais permanentes para responder aos desequilíbrios provocados pelos movimentos do animal. Esta exigência de atenção contínua se transfere para outras atividades.

A equoterapia beneficia não só aos portadores de deficiência ou de necessidades especiais de todas as idades (crianças, adultos e idosos), mas, também, às pessoas que buscam alívio para o estresse, insônia ou sintomas de depressão e baixa auto-estima.

Ajuda, ainda, às crianças com dificuldades de aprendizagem, relacionamento social e hiperatividade e, às pessoas saudáveis  que querem perder o medo do cavalo, ou desejam iniciar-se nas atividades equestres.

Amauri conta que, em geral, as crianças não sentem medo do cavalo. Ao contrário, são apaixonadas por eles. Há um processo de indução e aproximação que inclui buscar o cavalo na cocheira, ajudar a escová-lo e a colocar a manta.  “Nunca tivemos problemas de rejeição ao cavalo ou à equipe. Já houve casos de crianças cuja queixa principal era fobia a animais, mas sempre foi superado com muito sucesso”.

Como funciona o tratamento

O trabalho envolve uma equipe multiprofissional, composta por psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, arte-terapeuta e equitadores. Na Equovida, são 12 profissionais. O atendimento é sempre individual, realizado simultaneamente por pelo menos 3 profissionais junto ao cavalo e ao paciente.

No espaço do Haras Pégasus, em Vargem Grande, faz-se um trabalho complementar com argila, pintura ou materiais do próprio local, orientado por uma arte-terapeuta, nos 30 minutos seguintes às atividades com o cavalo. "Na Hípica não fazemos a  parte de arte-terapia por falta de condições locais”, acrescenta Sólon.

Cavalos e Segurança

Embora haja os riscos naturais decorrentes de se estar trabalhando com animais, ao ar livre, a segurança é uma preocupação permanente.  Os pacientes usam capacete e os cavalos e a equipe são exaustivamente treinados. “Nunca tivemos acidentes” informa Sólon que revela ter aprendido a ser bastante rigoroso com segurança quando trabalhou na IBM, na década de 60, com o sr. Eugênio Furstenau, gerente de segurança na época. 

No Equovida, eles selecionam, domam e trabalham os próprios cavalos, processo que leva pelo menos 6 meses.

Resultados

Segundo o psicólogo, as melhoras são sempre muito evidentes nos primeiros meses, tanto na parte motora quanto nos aspectos psicossociais. “Na parte motora, os ganhos são muito visíveis no equilíbrio, na postura corporal, na sustentação do tronco e da cabeça. E estas melhoras possibilitam outras: na respiração e na deglutição, que desencadeiam melhoras nos processos da fala, afetando a auto-estima. O prazer é uma das grandes molas do processo terapêutico".

Em toda equoterapia, há sempre uma psicoterapia. Logo os ganhos não existem só para pessoas com problemas ou com as ditas "deficiências". Mas, é importante lembrar que o paciente deve continuar com todos os outros tratamentos. A equoterapia é uma terapêutica complementar.