El Niño deve ganhar força

Um novo alerta sobre o clima colocou o El Niño novamente no centro das atenções. Em 30 de setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em parceria com outros seis órgãos federais, divulgou o quarto boletim de acompanhamento do fenômeno El Niño 2026–2027. A previsão indica 95% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade muito forte entre outubro e dezembro.
Já tivemos informações anteriores sobre o El Niño este ano, mas é o reforço na previsão já faz prever consequências diferentes para as várias regiões do Brasil.
Você deve se lembrar que o El Niño é um fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e pode modificar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes partes do planeta.
Seus efeitos não são iguais em todos os lugares. No Brasil, uma das características mais conhecidas é a diferença entre o Sul e as regiões Centro-Norte do país.
No Sul, o fenômeno costuma favorecer o aumento das chuvas. Isso significa maior possibilidade de episódios de chuva intensa e, consequentemente, de enchentes e outros problemas relacionados ao excesso de água. O novo boletim chama atenção justamente para o risco de cheias na região.
Já em parte das regiões Norte e Nordeste, o El Niño costuma estar associado à redução das chuvas. O novo cenário também aponta para a intensificação da seca e para o aumento do risco de incêndios no centro-norte do Brasil.
Isso ajuda a entender uma característica importante dos fenômenos climáticos: um mesmo evento pode produzir consequências muito diferentes dependendo da região.
A influência do El Niño também pode chegar à agricultura. Alterações na quantidade e na distribuição das chuvas interferem no calendário de plantio, na disponibilidade de água e nas condições de desenvolvimento das plantações.
Os efeitos podem aparecer ainda nos reservatórios de água, na geração de energia, nos transportes e na rotina das cidades. Períodos de chuva intensa podem provocar alagamentos e deslizamentos, enquanto períodos prolongados de seca podem aumentar a pressão sobre os recursos hídricos.
O fenômeno também está relacionado à temperatura. O aquecimento das águas do Pacífico modifica os padrões de circulação atmosférica e pode contribuir para temperaturas acima da média em algumas regiões.
É importante, porém, não confundir previsão climática com certeza sobre o que vai acontecer em determinado lugar e em determinado dia. Os boletins trabalham com probabilidades e tendências para períodos e regiões mais amplos.
Por isso, o acompanhamento do El Niño envolve diferentes instituições científicas. O INMET, Instituto Nacional de Meteorologia, vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que faz o monitoramento do tempo, das condições meteorológicas e emite previsões diárias e avisos de perigo meteorológico, o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que desenvolve pesquisas espaciais, opera satélites e estuda o clima, além de monitorar desmatamento e queimadas por imagens orbitais, a ANA, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, órgão regulador federal responsável por implementar a gestão dos recursos hídricos (rios e lagos) do país e definir diretrizes para o saneamento básico, o CEMADEN, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais , vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que monitora 24 horas por dia áreas de risco para emitir alertas antecipados de desastres como deslizamentos de terra e inundações para a Defesa Civil, além da Defesa Civil e Censipam participam do monitoramento e da análise de possíveis impactos.
O fenômeno também mostra como oceano, atmosfera, clima e sociedade estão conectados. Uma alteração na temperatura da água do Pacífico, a milhares de quilômetros do Brasil, pode influenciar as condições de chuva e temperatura em diferentes regiões do país.
É justamente por isso que o El Niño é um bom exemplo de como a Geografia e as Ciências ajudam a compreender acontecimentos que aparecem diariamente no noticiário.
Para os próximos meses, a previsão é de atenção redobrada. Mais do que prever se vai chover ou fazer calor, acompanhar o El Niño significa entender como os sistemas naturais funcionam, e como as sociedades precisam se preparar para seus possíveis efeitos.
O acontecimento da semana, portanto, não está apenas no céu ou no oceano. Ele também está na agricultura, nas cidades, na energia, na água e na vida das pessoas.