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A Índia e o ultranacionalismo

Por Debora Rodrigues Barbosa
Presidente Jair Bolsonaro visita a Índia para promover aproximação econômica com o país.

A visita do presidente Jair Bolsonaro à Índia, no início de 2020, foi uma forma de promover a aproximação com um gigante econômico, uma das dez maiores economias do Planeta, liderado por Narendra Modi, o primeiro-ministro indiano, desde 2014.

Índia e Brasil assinaram quinze acordos para cimentar a cooperação em áreas que vão de energia e comércio e investimento a segurança cibernética e tecnologia da informação. Os dois países também apresentaram um plano de ação para expandir ainda mais os laços estratégicos entre os dois países.

A índia tem apresentado forte crescimento econômico, pautado principalmente pela expansão dos serviços. A tecnologia da informação e a terceirização de processos de negócios estão entre os setores que mais crescem, ancorados na boa qualificação profissional de uma pequena parcela de privilegiados no país, e o fato de que uma das línguas mais praticadas na Índia é o inglês, língua universal dos negócios e da globalização.

Mesmo com esse grande crescimento, a Índia tem sofrido com o processo de desaceleração econômica, principalmente devido à queda na produção, nas exportações industriais e redução de investimentos. As tensões geopolíticas, que reduziram o comércio internacional, e a baixa nos preços de commodities são fatores que contribuíram para a desmonetização indiana.  Mas a perspectiva de crescimento a longo prazo da economia indiana permanece positiva devido à sua população jovem (e, portanto, com grande expectativa produtiva) ??e taxas de investimento. A força de trabalho da Índia deve atingir 160-200 milhões nos próximos anos e há expectativa de aumento da participação da força de trabalho e matrículas no ensino superior.

O grande problema é que as altas taxas de crescimento econômico não têm significado uma redução das desigualdades da Índia. Os mais ricos acumulam grande parte da riqueza criada através do capitalismo e da herança. Eles estão ficando mais ricos em um ritmo muito mais rápido, enquanto os pobres ainda estão lutando para ganhar um salário mínimo e acessar serviços de educação e saúde de qualidade, que continuam sofrendo de um crônico sistema de baixos investimentos. Enquanto o governo indiano mal tributa seus cidadãos mais ricos, seus gastos com saúde pública estão entre os mais baixos do mundo.

Uma situação que merece atenção, no país, é o crescimento do ultranacionalismo, sobretudo com a ascensão do primeiro-ministro, Narendra Modi, cujo partido é uma liderança importante de um segmento social que super valoriza a cultura hindu e massacra as minorias no país, dentre eles cristãos e muçulmanos. O atual governo indiano se opõe fortemente aos refugiados rohingya e imigrantes de Bangladesh, chamando-os de "cupins". E se isso não for suficiente, a Índia mantém laços estreitos com Mianmar, que cometeu uma limpeza étnica.

Enquanto o nacionalismo hindu continua sua marcha pela Índia, cresce um culto à personalidade em torno de Nathuram Godse, o extremista hindu que matou Gandhi, alguns meses depois que a Índia alcançou sua independência da Grã-Bretanha, em 1948.

É um sinal de quanto o país mudou nos cinco anos e meio desde que Modi assumiu o poder. Um grupo de membros de alto nível do partido do governo, Bharatiya Janata, elogiou abertamente o assassino de Gandhi argumentando que o líder da independência havia "trazido tortura, ruína e destruição" a milhões de hindus por seu “apaziguamento” com o povo muçulmano e os cristãos. Em todo o país, mais de uma dúzia de estátuas do assassino de Gandhi foram erguidas. Vários templos hindus estão sendo convertidos em templos de Godse.

Agora, é interessante aguardar os próximos acontecimentos. Vai haver secção entre os povos que vivem na Índia? O país retomará o crescimento econômico? O governo vai tomar alguma medida para reduzir as hostilidades entre diferentes segmentos da sociedade indiana?