Os Estados Unidos e o petróleo venezuelano

Nos primeiros dias de janeiro de 2026, os Estados Unidos lançaram uma operação militar de grande impacto na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, um ato sem precedentes nas relações internacionais recentes e que gerou ampla repercussão. Essa ação, oficialmente justificada pela Casa Branca como uma medida de combate ao narcoterrorismo e ao tráfico de drogas, está profundamente entrelaçada com o interesse estratégico norte-americano nas vastas reservas petrolíferas venezuelanas.
A Venezuela possui uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, concentradas principalmente na Faixa do Orinoco. Esse dado, por si só, já transforma o país em um ator central no mercado energético global. Para os Estados Unidos, historicamente dependentes de segurança energética, controlar ou influenciar fontes estratégicas de petróleo sempre foi uma prioridade.
Durante o governo Trump, a política externa norte-americana vem sendo marcado por forte pragmatismo econômico. O petróleo é visto não apenas como um recurso energético, mas como instrumento de poder político e a instabilidade venezuelana, agravada pela crise econômica e institucional, abriu espaço para disputas internacionais.
Nesse contexto, o governo Trump passou a enxergar a Venezuela tanto como ameaça quanto como oportunidade.
As razões do interesse de Donald Trump pelo petróleo venezuelano
Uma das razões centrais do interesse de Trump é reduzir a influência de países rivais na América Latina. China e Rússia ampliaram investimentos no setor petrolífero venezuelano ao longo da última década e para Washington essa aproximação representa um risco estratégico direto em sua área tradicional de influência.
Assim, aniquilar o governo de Nicolás Maduro também significa conter o avanço desses competidores globais.
Outro fator importante foi a política de sanções econômicas. Trump apostou em sanções severas para pressionar o regime venezuelano. Ao restringir a venda de petróleo da Venezuela no mercado internacional, os EUA buscavam provocar colapso financeiro.
A expectativa era que a escassez de recursos levasse à queda do governo chavista.
Ao mesmo tempo, empresas petrolíferas norte-americanas demonstravam interesse nas reservas venezuelanas e caso houvesse uma mudança de governo, abrir-se-ia espaço para privatizações e novos contratos, o que permitiria o retorno de companhias americanas a um mercado historicamente relevante.
A lógica era alinhar interesses políticos com benefícios econômicos diretos. O discurso ideológico também teve peso. Trump construiu uma narrativa fortemente antissocialista, especialmente voltada ao eleitorado latino nos Estados Unidos. A Venezuela foi apresentada como exemplo do “fracasso do socialismo”. O petróleo, nesse discurso, simbolizava uma riqueza desperdiçada por má gestão estatal.
Além disso, o controle de fluxos energéticos impacta diretamente o preço internacional do petróleo. Oscilações nos preços afetam economias, eleições e a estabilidade de governos.
Ao interferir no petróleo venezuelano, os EUA buscam também influenciar o mercado global.
Assim, a intervenção recente não deve ser analisada apenas sob a ótica de segurança regional ou combate ao crime transnacional, mas também como parte de uma estratégia mais ampla dos EUA para ganhar influência direta sobre a produção e distribuição energética da Venezuela - um movimento que possui implicações diretas para mercados globais, rivalidades geopolíticas e os interesses econômicos de empresas petrolíferas norte-americanas.