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Por que o ano começa em 1º de janeiro?

02/01/2026 · 12:00 · atualizado em 05/01/2026
Uma explicação histórica e cultural


Fogos de artifício, festas, brindes, roupas brancas, promessas e desejos de renovação.

Em grande parte do mundo, o dia 1º de janeiro é celebrado como um marco simbólico de recomeço. As comemorações do Ano Novo expressam a esperança de um novo ciclo, a ideia de deixar o passado para trás e projetar expectativas para o futuro.

Mas, embora essas celebrações sejam amplamente difundidas, pouco se questiona por que exatamente essa data foi escolhida para marcar o início de um novo ano. A ideia de que o ano começa em 1º de janeiro parece natural para grande parte das pessoas, mas essa convenção é fruto de um longo processo histórico, político e cultural. Durante séculos, diferentes povos iniciaram o ano em datas variadas, relacionadas aos ciclos da natureza, às colheitas, às cheias dos rios ou a eventos religiosos.

A origem do 1º de janeiro remonta à Roma Antiga. No início, o calendário romano tinha apenas dez meses e o ano começava em março, mês dedicado a Marte, deus da guerra.

Essa escolha fazia sentido em uma sociedade fortemente militarizada, já que a primavera marcava o período ideal para campanhas militares. Com o tempo, o calendário foi reformulado e em 153 a.C., os romanos decidiram iniciar o ano em janeiro, por um motivo essencialmente administrativo e político: era em janeiro que os novos cônsules assumiam seus cargos. Os cônsules eram os mais altos magistrados da República Romana. Eles exerciam funções políticas, administrativas e militares, sendo figuras centrais do poder romano. Assim, começar o ano nesse mês facilitava a organização do Estado.

Janeiro recebeu esse nome em homenagem a Jano (Janus), deus romano das portas, das passagens e dos começos. Representado com duas faces, uma voltada para o passado e outra para o futuro, Jano simbolizava transições, o que reforçou o sentido simbólico do início do ano nesse mês.

A consolidação definitiva do 1º de janeiro veio com o calendário juliano, instituído por Júlio César em 46 a.C. Mais tarde, no século XVI, o calendário gregoriano, criado pelo papa Gregório XIII, ajustou erros astronômicos, mas manteve o início do ano em janeiro. Esse calendário foi gradualmente adotado pela Europa e, posteriormente, imposto ao resto do mundo por meio da colonização e da expansão cultural europeia.

Apesar disso, nem todas as culturas seguem essa lógica. Em muitas sociedades, o ano começa em outras datas, revelando diferentes formas de compreender o tempo.

No calendário chinês, por exemplo, o Ano Novo não tem data fixa, pois ocorre entre o final de janeiro e o início de fevereiro, seguindo os ciclos da Lua. Essa data marca um período de renovação, celebrado com rituais, festas familiares e símbolos de prosperidade.

O calendário islâmico também é lunar e inicia o ano no mês de Muharram.

Como o ano islâmico é mais curto que o solar, suas datas se deslocam ao longo das estações, mostrando uma concepção de tempo desvinculada do ciclo agrícola.

Já no calendário judaico, o Ano Novo, chamado Rosh Hashaná, ocorre geralmente entre setembro e outubro. Essa data está associada à reflexão, ao julgamento moral e ao início de um novo ciclo espiritual.

Na Índia, existem vários calendários regionais, e o início do ano pode variar conforme a tradição local, muitas vezes ligado às colheitas ou a eventos religiosos.

Esses exemplos mostram que o início do ano não é uma verdade universal, mas uma construção cultural e histórica. O 1º de janeiro tornou-se dominante por razões políticas, administrativas e religiosa e não por ser o único começo possível.

Assim, entender por que o ano começa em 1º de janeiro é também compreender como o poder, a cultura e a história moldam nossa percepção do tempo.

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