Garotas atiradas
Meninas que tomam a iniciativa na hora da paquera, do beijo e até da transa estão se tornando cada vez mais comuns. Elas não temem o preconceito e nem o fato de serem rotuladas de “fáceis”. Mas o que pensam os meninos e outras meninas dessa atitude?
A estudante Daiane Cordeiro, 17 anos, não acha legal quando as garotas tomam a iniciativa. “Acho péssimo. Os garotos é que devem tomar a iniciativa. As meninas que agem assim acabam rotuladas de galinhas, pega mal. O que elas podem fazer para insinuar que estão a fim é fazer um olhar diferente, se aproximar do menino como amiga e ir conversando aos poucos para ver se rola uma química. Alguns garotos gostam quando a menina toma a iniciativa do beijo ou da ficada, mas a maioria acha vulgar”, opina a jovem.
Quando conheceu seu namorado Alex, Daiane agiu exatamente da maneira como pensa que uma menina deve agir. “Eu estava indo para escola quando ele veio correndo atrás de mim. Foi de surpresa e eu nem o conhecia, mas sabia que morava na minha rua. Fomos andando até a escola e conversamos bastante. O clima veio aos poucos e estamos juntos há três meses”, conta.
Roberta Tabata, de 16, amiga de Daiane, pensa diferente. “Quando estou a fim de um garoto chego e falo logo com ele. Não fico com vergonha e nem acho que quem toma a iniciativa fica rotulada. Tenho outras amigas que são como eu. Nós saímos bastante e todas as vezes que tomei a iniciativa de falar com um garoto, todos eles levaram numa boa. Ninguém ficou assustado”, diz a jovem.
O estudante Marcel Pinheiro, 17 anos, confessa que gosta das garotas que se antecipam na relação. “Pode ser namorada, ficante ou apenas uma paquera. Acho legal quando uma garota sabe o que quer e não tem vergonha de demonstrar. Namorei uma garota que conheci em uma festa. Ela chegou para conversar comigo, disse que me achava bonito e que queria me beijar. Fiquei envergonhado na hora porque ela foi muito direta, mas gostei. Namoramos durante um ano e depois acabou. Não acho que elas se tornam vulgares por isso”, afirma Marcel.
Mundo machista?
Fernando Botelho, 18 anos, diz que hoje em dia os garotos não se surpreendem mais quando uma garota toma a iniciativa do beijo ou do sexo. “Isso é normal e não quer dizer que a garota não tenha caráter. Existem as aproveitadoras sim, mas essas querem status e desfrutar de algo que o cara tenha para dar. Ninguém é pior do que ninguém só porque seduziu uma pessoa”, acredita o jovem.
A irmã de Fernando, Renata Botelho, 16, também não acha que o fato de uma garota se aproximar de um rapaz e dizer para ele o que sente não vai fazer dela uma mulher vulgar. “A mentalidade de algumas pessoas é muito pequena. O mundo mudou e não tem nada a ver julgar uma mulher por ela ter tomado a iniciativa de um beijo. Acho esse pensamento machista e, o pior é que muitas mulheres acabam sendo machistas também. Cada um tem o direito de viver como quiser”, diz Renata, defendendo seu ponto de vista.
Contrariando a opinião dos amigos, Pedro Henrique Novaes, 18 anos, diz que estranha quando uma garota se insinua para ele. “Não sei o que acontece. Fico meio travado, atônito. Sempre que tive namorada eu é que tive que correr atrás. Acho que não estou preparado para ser abordado. Mas isso não quer dizer que eu as ache oferecidas, cada um deve agir como quiser. Só não me sinto bem quando acontece”, conta o estudante.
No passado
Você sabia que até a década de 60 os papéis sexuais eram muito definidos e rígidos? Era inadmissível, por exemplo, que a mulher manifestasse seu desejo em relação a um homem. A mulher tinha uma atitude muito passiva em relação às suas escolhas. Tomar a iniciativa de um beijo, nem pensar!
Cabia apenas aos homens o processo da conquista, o ritual da sedução. À mulher, restava ser escolhida pelo homem, de forma que as coisas fossem acontecendo por iniciativa dele. Houve até mesmo um tempo em que os maridos eram escolhidos no momento do nascimento da menina. Os casamentos eram arranjados pelas famílias, que tinham interesses políticos e econômicos na união dos filhos. Você já imaginou como seria viver nesse mundo? Ainda bem que algumas mulheres foram precursoras em novas atitudes que mudaram este quadro para sorte de quem vive hoje, como a atriz Leila Diniz.
Para saber mais:
Literatura
- História das Mulheres no Brasil, Mary Del Priore. Editora Contexto.
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