Hipótese de Dunbar
Quantos amigos você acha que consegue fazer na internet? Trezentos? Quinhentos? Mil? Segundo o antropólogo e psicólogo evolucionista inglês Robin Dunbar, apenas 150. Só isso? Como assim? Calma, a Biologia pode explicar!
Segundo o criador do “Número de Dunbar”, mesmo quando as relações tenham atingido um número crescente com a chegada das redes sociais, os amigos de verdade se restringem a um "pequeno" grupo por pessoa. Biologicamente falando, para ele, o cérebro humano é capaz de computar e administrar apenas uma quantidade limitada de contatos considerados amigos autênticos.

Publicado no The Times da semana passada, um estudo da Universidade de Oxford ressalta a importância do número de Dunbar na relação social entre os indivíduos. O psicólogo defende o conceito de que a internet representa uma parte crucial para a evolução do nosso cérebro.
O começo da teoria...
Estudando sobre os macacos, Dunbar notou uma relação entre o número de integrantes de um grupo e o tamanho do cérebro de cada um. Ele percebeu que quando os grupos eram mais numerosos, os macacos tendiam a possuir um córtex mais volumoso. Lembrando que o córtex cerebral, também chamado de massa cinzenta, está relacionado à nossa memória.
Trazendo essa descoberta para a própria espécie, o pesquisador elaborou uma hipótese de que a evolução do cérebro dos humanos estaria relacionada ao desenvolvimento das estruturas sociais.
Uma rede social que oferece um limite extensivo de amigos, não reflete de forma contundente a realidade de como nos relacionamos.
A hipótese ficou conhecida como “Social Brain” e se explica pelo fato de que quanto mais pessoas envolvidas num determinado grupo, mais informações se incluem para serem processadas. Numa turma numerosa, por exemplo, há muitos sentimentos, pensamentos, emoções, ações e ideias para serem identificadas, assimiladas e classificadas, viabilizando assim, um convívio social efetivo.
Limite cerebral
A parte curiosa da teoria de Dunbar é que há limites para a nossa capacidade cerebral de processar essas informações, logo, isso restringiria o número de indivíduos com os quais conseguimos nos “conectar”. Essa teoria é válida pelo menos para a quantidade de pessoas que consideramos parte do nosso círculo de amizades e que estaria restrita a 150.
Uma rede social que oferece um limite extensivo de amigos, não reflete de forma contundente a realidade de como nos relacionamos. Os mais de 500 amigos notificados nos perfis, não podem ser classificados exatamente como amigos verdadeiros.
Cadê nossos amigos, então?
Para provar que estava certo, Robin pensou numa maneira de classificar esses 150 indivíduos. E o fez por intermédio de um sistema de anéis concêntricos, onde o “eu” está no centro e ao redor vão se formando círculos de dentro para fora. Esses círculos são compostos pelas pessoas com as quais eu me relaciono. Assim, quanto mais longe uma pessoa estiver do centro, mais fraco será o elo entre nós.
O primeiro anel em volta de um ser é formado por pessoas consideradas íntimas; o segundo está relacionado aos conhecidos, como colegas de classe, trabalho, etc; o terceiro classifica-se pelos chamados contatos superficiais, compostos por vizinhos ou pessoas às quais vemos ocasionalmente e, assim por diante, até totalizar o resultado de 150 pessoas em torno de alguém.
O notável dessa teoria está no fato de que para atingir a marca de 150 num ciclo social é preciso um aumento constante de gente entre um anel e outro. Exemplificando: o círculo mais próximo de você é formado por 3 a 5 pessoas, que são os seus amigos de verdade, o próximo entre 10 a 15 pessoas também podem fazer parte da sua ideia de amizade, já o terceiro, entre 30 e 45, são pessoas que dificilmente você vai conseguir manter um vínculo íntimo e de confiança.
Suporte antropológico
A hipótese dos cento e cinquenta de Robin Dunbar está amparada por alguns estudos antropológicos. Agrupamentos com esse total de pessoas podem ser vistos em sociedades indígenas que se separam entre coletores e caçadores. O “Número de Dunbar”, 150, explica a quantidade de indivíduos com os quais podemos manter um vínculo afetivo real, em função dos limites do nosso próprio cérebro em compactar o volume de informações a serem organizados no âmbito das relações sociais.
As novas tecnologias nos levaram a acreditar que ultrapassaríamos esse limite. No entanto, essa expectativa foi frustrada. Uma pesquisa feita pelo sociólogo Cameron Marlow, na rede social Facebook, revelou que cada usuário só consegue manter um contato estável com no máximo 120 pessoas dentro por portal.
E então, essa é a sua realidade? Com quantos amigos você fala diariamente? Eles são tão numerosos quantos o Facebook pode apontar, ou você conta na ponta dos dedos? Pense nisso!