Musgos

Uma descoberta feita por cientistas britânicos revelou que os musgos, primeiros vegetais a conquistar o ambiente terrestre, conseguem sobreviver por mais de 1500 anos se congelados. A planta, armazenada na Antártida, foi trazida de volta à vida depois de um longo período de incubação. A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade Reading e é a primeira a apontar uma sobrevivência de tanto tempo em uma espécie, o máximo já registrado antes foi de vinte anos.
Casos mais duradouros só foram observados em bactérias - seres muito pequenos, pertencentes ao reino monera. De acordo com Peter Convey, um dos responsáveis pelo estudo,
os musgos pesquisados permaneceram congelados por um período muito grande, e “sua sobrevivência e recuperação é muito, muito mais longa do que qualquer coisa registrada antes”, disse ele.
Dominantes em várias áreas, essas briófitas são partes importantes do sistema biológico das regiões polares. Segundo levantamento, elas fornecem informações preciosas sobre as condições climáticas no passado.
O experimento provou que organismos multicelulares podem sobreviver por períodos bem mais longos que os imaginado até hoje.
O que são os musgos?
Os musgos foram originados a partir da evolução das algas verdes. São os primeiros vegetais na escala evolutiva a apresentar tecidos devido aos diferentes tipos de células que possuem.
Como não possuem estruturas especializadas (tecidos de condução) no transporte de substâncias (seiva), são vegetais de pequeno porte, raramente ultrapassando alguns centímetros (os maiores chegam a 20 cm).
São chamados plantas avasculares (sem vasos condutores de seiva) e seu pequeno tamanho está relacionado ao fato das substâncias nutritivas circularem de célula para célula em um processo bem lento. Além disso, dependem da água para se reproduzirem, o que é considerado uma demonstração de que mantiveram características primitivas.
Encontrados em locais úmidos e sombrios.
Essas plantas briófitas costumam formar verdadeiros tapetes iluminados. Nesses locais, elas promovem a retenção das águas das chuvas e protegem o solo contra a erosão, reduzindo a possibilidade de desmoronamento.
Por não possuírem vasos condutores, não têm raízes verdadeiras. Apresentam filamentos com aspecto de raízes, os chamados rizoides, que fixam o vegetal ao solo e absorvem água e sais minerais.
Reprodução
A reprodução dos musgos é extremamente curiosa: possui uma fase assexuada em que se formam os esporos e uma fase sexuada em que são formados os gametas (células reprodutoras sexuadas).
Mas atenção! Quando um ser vivo apresenta um ciclo vital em que se alternam uma etapa sexuada e uma etapa assexuada, chamamos tal ciclo de alternância de gerações ou metagênese. O gameta feminino (oosfera) atrai os gametas masculinos (anterozoides), liberando para o ambiente uma substância atrativa. Quando um anterozoide junta-se à oosfera, ocorre a fecundação (união do gameta masculino ao feminino). Aí, termina a etapa sexuada.
Após a fecundação, inicia-se a etapa assexuada com a formação de esporos no vegetal feminino. Os esporos são lançados ao ambiente e, ao caírem em local com condições favoráveis, germinam. Termina aí, a etapa assexuada. Os esporos, ao germinarem, dão origem ao outros musgos e o ciclo se reinicia.
Amostras estudadas datam de 2.000 anos
Geralmente, os estoques de musgos estudados na Antártida datam de 5.000 a 6.000 anos, porém o lote averiguado pelos britânicos data de cerca de 2.000 anos. Para o procedimento, os cientistas dividiram os musgos congelados em pedaços finos e mantiveram-nos em uma incubadora com temperatura e nível de luz adequados para o crescimento. Esse isolamento conseguiu manter a planta livre de contaminação e, poucas semanas depois, os musgos começaram a crescer novamente.
Através da técnica de datação por carbono (quando um ser vivo morre, a quantidade de carbono 14 em seu organismo diminui, gerando um decaimento radioativo. Logo, quanto menor for a quantidade de carbono encontrada na amostra mais antiga ela é.) foi possível descobrir que os musgos tinham 1.530 anos.
O experimento provou que organismos multicelulares podem sobreviver por períodos bem mais longos que os imaginado até hoje.