Imigração
A presidente Dilma Rousseff anunciou que vai regularizar a situação, através de visto, dos 4.000 haitianos que se encontram nos estados do Acre e Amazonas. O governo brasileiro também disse que fechará as fronteiras para estes habitantes e que vai conceder 100 vistos mensais para que eles possam vir trabalhar aqui.
A decisão foi tomada em reunião da presidente Dilma com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo; de Relações Exteriores, Antônio Patriota; da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, além do interino do Trabalho, Paulo Roberto dos Santos Pinto.
A partir da aprovação da resolução, os haitianos só poderão entrar no país com visto, válido por cinco anos, concedido pela Embaixada Brasileira em Porto Príncipe. Durante este período, os haitianos terão de demonstrar que estão no país a procura de emprego.
A segurança das fronteiras no norte do país será reforçada para coibir a entrada ilegal dos caribenhos. Além disso, o governo pretende fazer gestões diplomáticas com o os governos do Peru, do Equador e da Bolívia para desmontar a rota de migração dos haitianos até o Acre e o Amazonas.
Um pouco de história
O Haiti foi o segundo país da América do Sul a declarar sua independência, em 1804, logo após os Estados Unidos. Desde então, diversos presidentes estiveram no poder, mas todos foram depostos de forma violenta, até 1957. Neste ano, François Duvalier assumiu a presidência e instaurou uma violenta ditadura. Quando morreu, seu filho, Jean Claude Duvalier, assumiu o poder e deu continuidade ao regime.
Em 1986, os militares ocuparam a presidência. Nas eleições populares de 1990, o padre Jean-Bertrand Aristide saiu vitorioso, porém foi deposto pouco depois de assumir o cargo. Aristide conseguiu retornar ao poder em 1994. Seu governo, entretanto, foi incapaz de acabar com a corrupção e recessão que assolavam o país. Em 2004, quando Aristide foi reeleito, uma rebelião armada organizada pela oposição tomou o poder.
O Brasil no Haiti
Desde 2004, o Brasil se encontra no Haiti com tropas na Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas (ONU), a Minustah, com os objetivos de pacificar e desarmar grupos guerrilheiros e rebeldes do país, promover eleições livres e informadas e o desenvolvimento institucional e econômico. A missão, que deveria ter fins humanitários, tem sido alvo de duras críticas entre especialistas brasileiros.
Em 2007, advogados conselheiros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) produziram um documento acusando as tropas da Minustah e o Brasil de estarem no Haiti apenas para atender aos interesses estadunidenses na região. De acordo com eles, as tropas não combatem os abusos e as violências cometidos pela polícia local contra a população haitiana. De acordo com o documento, a missão se resume em uma força de ocupação militar. Até hoje, a missão ainda não acabou.
Os reflexos do terremoto de 2010
O Haiti possui problemas sócioeconômicos semelhantes aos de países africanos, como desnutrição da população, baixo alcance de saneamento básico e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Até hoje, a economia é baseada em atividades primárias, exportando principalmente açúcar. Muitos haitianos vivem com menos de um dólar por dia.
Em janeiro de 2010, o Haiti foi assolado por um terremoto que destruiu a região e vitimou cerca de 250 mil pessoas. Estima-se que o tremor, que alcançou sete graus na escala Richter, tenha deixado 20 milhões de metros cúbicos de entulho. Embora tenha passados dois anos, o país, que já era o mais pobre da América Latina, ainda sofre os reflexos do desastre.
Desde então, os haitianos vêm para o Brasil fugindo da miséria e da fome que assola o país. Com o agravamento das condições econômicas do país após o terremoto, eles imigram para cá em busca de emprego, principalmente na área de construção civil.