Erupção Solar
Na última terça-feira, 24, o observatório espacial SDO, da Nasa registrou o momento em que a Terra foi atingida por uma tempestade solar de grandes proporções. O episódio foi resultado de uma erupção na superfície da estrela, também registrado pela Nasa no último domingo. A nuvem de partículas carregadas foi classificada como de intensidade M8,7, pouco abaixo das do tipo X, as mais fortes.
Segundo especialistas, a erupção solar gerou um fluxo de prótons energizados em alta velocidade que foi lançado para Terra a até 2 mil quilômetros por segundo. A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA (NOAA) realizou novas medições e descobriu que a massa coronal associada à erupção está provocando uma tempestade geomagnética de nível S3 em sua escala, a mais forte desde 2003.
Vale relembrar que a tempestade solar mais intensa de que se tem notícia arruinou, em 1859, grande parte da rede telegráfica nos EUA e ficou conhecida como “Evento de Carrington”. Hoje, uma tempestade como essa poderia derrubar os sistemas de informação, comunicação e distribuição de energia, em custos estimados pelo governo americano de US$ 2 trilhões.
O que são as tempestades solares?
O sol é uma enorme “bomba de hidrogênio”, em atividade há 5 bilhões de anos e capaz de transformar, a cada segundo, aproximadamente 600 mil toneladas de hidrogênio em hélio, através de reações nucleares de fusão.
As explosões solares estão associadas à manchas que se manifestam na superfície solar. Elas resultam de campos magnéticos torcidos que atravessam o corpo esférico do Sol e podem ser observadas em hemisférios opostos dessa estrela. Essas linhas magnéticas, segundo físicos solares, inibem a ascensão de energia do interior do Sol até sua superfície e daí para o Sistema Solar.
Quando uma explosão solar é repentinamente liberada, geralmente acima das manchas solares, devido a uma grande quantidade de energia armazenada em campos magnéticos, dizemos que ocorreu um flare ou rajada solar. As rajadas solares produzem uma enorme emissão de radiação que se espalha por todo o espectro eletromagnético. Como consequência, enormes bolhas de gases ionizados com até 10 bilhões de toneladas lançam no espaço partículas com velocidades que superam a velocidade de um milhão de quilômetros por hora, fenômeno conhecido como ejeção de massa coronal (CMEs – sigla em inglês).
Quando observados dentro do espectro de raios X, as rajadas solares podem ser classificadas como de classe X, M ou C.
Tempestade pode afetar comunicação de aeronaves
De acordo com especialistas, a atual tempestade pode vir afetar as comunicações de aeronaves voando próximas dos polos e redes elétricas de alta tensão. Há relatos de que, na Suécia, já ocorreu um surto de energia por conta do fenômeno. Além dessas consequências, a tempestade pode ainda provocar belas auroras boreais e austrais. Como?
A maioria das partículas altamente carregadas que são ejetadas pelo Sol são desviadas quando se aproximam dos limites do campo magnético da Terra. Quando uma parte dessas partículas consegue ultrapassar o bloqueio atinge, geralmente, as regiões de latitude mais altas, as camadas superiores da atmosfera Terrestre, onde se chocam com os átomos de oxigênio e nitrogênio, que ionizados produzem radiação no comprimento de onda da luz visível. Esse efeito luminoso é chamado de Aurora.
As auroras funcionam como “termômetro” da atividade solar, pois se tornam mais intensas à medida que aumentam as atividades solares. As auroras recebem o nome de boreais quando ocorrem próximas no polo norte e austrais quando ocorrem próximas ao pólo sul.
Fenômeno ainda não é preocupante
Embora o fenômeno deixe especialistas em estado de alerta, principalmente por causa dos satélites e astronautas em órbita da Terra, ela ainda não é preocupante. O depoimento dos astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) revelou que, mesmo sendo a maior dos últimos anos, a tempestade está longe das intensidades máximas frequentemente geradas nos picos de atividade dos ciclos do Sol.